37 anos

Ontem foi meu aniversário, fiz 37 anos. É um bocado, né? Queria registrar aqui algumas impressões e sentimentos sobre esse novo ciclo que se inicia. A gente muda e muito ao longo da vida, e particularmente, sinto que por aqui as mudanças tem sido ainda mais frequentes (quando era mais nova eu achava que seria o contrário).

Fisicamente, sei que não estou na minha melhor forma. Estou com sobrepeso e não faço praticamente nada de exercício físico, a não ser subir uma escada aqui, correr atrás de um menino acolá. Esse é um ponto sensível pra mim, principalmente por causa da minha autoestima.

É muito desconfortável olhar no espelho e ver gordura, pele, barriga, ver que quase nenhuma das roupas que eu gostava de usar não serve mais. E também fico triste quando percebo que não tenho a energia que as crianças (e o resto da rotina) me exigem.

Pra quem sabe do que estou falando, não é só dizer: “estou de dieta”, e começar a emagrecer milagrosamente. Muito da minha ansiedade eu desconto na comida, então é difícil vencer certos hábitos. Meu metabolismo também já não é lá mais essas coisas, então perder peso é um processo muito mais lento no meu caso.

Como estou sem plano de saúde, não consigo fazer acompanhamento de perto com profissionais, então me viro nos 30 mesmo, com livros e a internet. Nesse último mês tenho feito jejum e comido mais receitas low carb, o que já deu uma ajudinha com uns kilos. Descobri um perfil que tem umas receitas low carb muito gostosas e fáceis, então tem sido mais tranquilo eu me adaptar. Um próximo passo que estou planejando é trabalhar melhor nas “exceções”, porque é nelas que eu exagero no doce e na cerveja, e é quando a ansiedade domina.

Sobre exercícios, tá faltando é tempo mesmo. Pra eu conseguir me exercitar na rotina atual (veja meus posts sobre rotina e trabalho mais recentes), eu precisaria acordar mais cedo ou deixar de fazer alguma outra atividade. Meu sono é prioridade, e pra eu mexer nas outras coisas eu vou prejudicar ainda mais coisas que já não estou conseguindo fazer satisfatoriamente, então o exercício fica pra depois.

Então assim, nesse aspecto físico, sei que a não ser que eu fique mega rica pra pagar suporte e tenha bastante tempo, o processo vai ser lento e envolve autoconhecimento, resiliência e aprender a ver as pequenas conquistas. Eu espero que aos 38 eu esteja mais satisfeita com essa área da minha vida!

Mentalmente, acho que estou numa boa fase, depois de um período de trevas no ano passado. Vejo a minha vida com mais clareza, consigo identificar o que me faz bem e o que me faz mal. Enfim, consigo me distanciar e perceber o que está acontecendo.

Às vezes a ansiedade vem, e em algumas situações ela domina e eu deslizo. Nessas horas eu racionalizo, mas tento ser gentil e não me punir demais, mas também tento internalizar que gerei ali uma consequência com a qual vou ter de lidar. Quando eu consigo superar, é uma vitória, e eu registro isso.

No final das contas, mentalmente, é marcar palitinhos todo dia, tipo o sujeito na cadeia. Separo os lados thumbs up e thumbs down e vou marcando os pauzinhos a cada situação. No geral, o joinha tem prevalecido e isso me coloca numa situação muito positiva.

Bom, é isso. Até agora eu acho que vivi uma vida muito bem vivida. Hoje eu diria que sou uma pessoa que se preserva mais. Tenho minhas opiniões, meus posicionamentos e vivo de acordo com eles, na medida do possível.

Me envolvo menos em tretas e debates desnecessários, primeiro porque as pessoas estão cada vez mais desrespeitosas com a sua opinião. E segundo porque eu não tenho que ficar dando a minha opinião sobre tudo, especialmente quando diz respeito à vida dos outros (isso fez a minha quantidade de posts em redes sociais diminuir bastante, hahahah).

Quando precisa eu me envolvo, debato e brigo se for necessário. E por “quando precisa” entenda-se “quando é pelo bem-estar dos meus filhos” em 90% das vezes.

Tenho sido uma pessoa bem mais quieta e fechada também. Sempre fui muito expansiva, cheia de amigos, rueira, mas desde que tive filhos isso mudou bastante, até porque moro afastada e minha rede de apoio quase sempre quer dizer “pagar babá”, hahaha. O que eu faço às vezes é tentar encaixar compromissos no horário em que já estou pela rua.

Isso me leva a refletir um pouco sobre amizades. Minhas amigas mais próximas moram longe, então isso contribui pra eu ter me isolado um pouco mais. Por aqui tenho muito mais colegas do que amigos, geralmente pessoas que já trabalharam comigo, mas que com a falta de convivência acabam se afastando.

Sinto um pouco de falta de estar mais cercada de gente, e fico até um pouco ressentida (às vezes tenho a sensação de que insisto demais pra estar com as pessoas, mas elas não retribuem muito esse esforço). Mas eu sei que não posso obrigar ninguém a nada então hoje em dia eu sou mais desencanada, mas sempre faço questão de registrar quando acho que a pessoa está sendo relapsa.

Acredito sim que pra atrair abelhas a gente tem que cuidar do jardim, mas também acho que muita gente se esconde atrás de desculpa, sabe? Eu acho que tenho um bom julgamento sobre quem quer estar próximo e se esforça pra isso, quem quer estar mas tem suas limitações, quem prefere estar só no virtual (e é super bem-vindo, mas que seja honesto sobre não querer aproximação física), e quem só tem a língua grande mesmo.

Podem achar que sou grossa e que mereço não ter amigo nenhum, mas hoje em dia eu só prefiro ser prática mesmo. Pra terminar, acho que saí um monte do que queria falar, e não falei algumas coisas que agora eu desisto porque já escrevi demais. Feliz Aniversário pra mim!