Assumindo um desejo

Eu sou quadrada em muitos sentidos. Não tenho essa flexibilidade toda que é característica da geração Y (até porque teoricamente eu ainda sou X). Digo isso porque há algum tempo li uma matéria que falava algo sobre ser feliz tendo várias carreiras ao mesmo tempo, ou ainda abandonando uma e partindo pra outra, mesmo que parecesse “tarde demais”.

Sempre pensei o oposto disso, e na época ler esse texto foi muito libertador, no contexto dos pensamentos. Eu achava que como tinha me formado em publicidade, só conseguiria prosperidade fazendo isso, em partes por ter o pensamento quadrado, e em partes porque carreira sempre esteve relacionada pra mim a muito estudo e preparo, o que requer tempo.

Desde que li esse texto, eu comecei a pensar nas outras coisas que eu poderia ser na vida, além de publicitária. Coisas que eu gostaria de aprender, mesmo que não fossem uma carreira ou uma fonte principal de renda. Eu disse ali em cima que a libertação foi no âmbito das ideias, porque eu nunca tive muita coragem de assumir outra ocupação.

É um preconceito (ou talvez pior, um complexo de inferioridade) besta meu, uma vozinha que fica lá no fundo ecoando, e repetindo que eu não tenho nenhuma autoridade pra me auto declarar qualquer outra coisa além de publicitária.

Acontece que nesses dias do João, com licença-maternidade, eu resolvi tentar fazer uma faxina mental. Ter um filho nos dá uma noção plena de que a vida está passando, e que meus sonhos tem que começar a sair da esfera do pensamento e passar à esfera da realização. Tenho visto exemplos próximos que mostram que nunca é tarde demais para recomeçar, ou para diversificar.

E eu escrevi essa palestra toda pra dizer que eu resolvi estudar confeitaria, uma paixão antiga. Desde nova, eu sou maluca por doces, e em família, ou nos encontros com amigos, eu sempre fui a responsável por levar a sobremesa. Já pensei em estudar gastronomia, mas não foi uma ideia que durou muito, porque pro lado salgado da coisa eu não tenho pretensão de ser profissa. Meu lance sempre foi o doce mesmo.

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Por isso, resolvi assumir esse desejo antigo, e ter coragem de estudar confeitaria. Me tornar uma especialista no assunto, e poder falar isso com a mesma segurança que me afirmo publicitária. Estou mudando de carreira? Agora não. Vou mudar um dia? Talvez, nunca foi segredo pra ninguém que eu não pretendo ser publicitária o resto da vida. Mas por que estudar então? Não basta apenas continuar cozinhando doces?

Como eu disse antes, eu sou dessas que não consegue “ser” alguma coisa sem um mínimo de estudo e dedicação. Eu tenho talento para a confeitaria, mas me falta técnica. E pelas minhas leituras preliminares (e toda a programação do GNT, e Discovery Home & Health que tenho assistido), a confeitaria é uma área que demanda MUITO conhecimento e técnica. Se for pra ser doce, que seja bem feito. Boleiro sem técnica tem aos montes por aí.

Assumido o desejo, mãos à massa. Agora não tenho muita condição de fazer cursos presenciais por causa do Jojoco, mas estou vendo cursos bem legais online mesmo. Estou lendo bastante por conta própria, e assim que der, vou fazer o curso do Senac, que aqui no DF é bem elogiado e dá os alicerces. E claro, testando. Por isso tenho cozinhado e postado tantas fotos de doces nos últimos tempos.

Não sei até onde isso vai, mas me sinto muito bem só por ter assumido essa vontade e por estar investindo nesse sonho. Vamos ver onde chegarei.