Chilique em público: aconteceu por aqui

E aí que coincidentemente nessa onda de criança pode ou não pode ir em lugar x, anteontem, João deu seu primeiro show em público. Show bonito, pirotécnico, choro gritado, e tudo que tinha direito.

Eu, achando que seria uma boa ideia, analgésica e distrativa, fui passar a tarde com ele no shopping, na esperança dele se distrair e eu não ter que forçar meu ombro. Tudo foi bem até a hora de lanchar. Fomos na Cultura e eu pensei: comemos primeiro, depois solto a peia dele na seção infantil.

Fazendo o pedido, vejo que ele não quer mais ficar no carrinho. Conversei, falei que ia soltar no chão, mas que era pra ficar junto de mim. Hahaha. Foi só largar o braço que ele foi brincar do seu jeito favorito atualmente: empurrar carrinho até não ter mais espaço. Travei a roda do carrinho e ele foi direto nos carrinhos de bebê das mesas vizinhas e empurrou. Com bebê dentro.

Fui lá, peguei pelo braço, trouxe pra junto e daí pra frente só foi piorando de choro e drama. Senti o calor subindo e mijulguem, mas nessas horas se a gente não se controla, mete a mão. Só parou quando chegou o lanche (comida tem efeito mágico nesse menino), mas até parar foram alguns olhares desesperados de mães vendo ele empurrar o carrinho com recém-nascidos dentro, um senhor pra quem quase tive que pagar uma água nova e um comentário não solicitado que só respondi o olhar.

Enfim, sei que outros virão. Não estávamos num território inimigo, Cultura tem seção kids e Iguatemi deve ser o shopping com maior quantidade de bebês por m2. Mas tirei algumas lições:

– sorry, gente, mas criança não pode tudo não. Claro que palpite não solicitado é um saco, mas a gente tem que ser um pouco auto-crítica nessa hora. Não daria pro João meter a mão na água do cara, ou sair empurrando carrinho com bebê dentro e eu ficar sorrindo e falando “criança é assim mesmo”. Ela pode até ser assim mesmo, mas eu tô aqui pra ensinar que a gente convive em sociedade e não, não dá pra fazer tudo que a gente quer. Limite é bom e super necessário.

– em vez de ficar brigando pra tudo quanto é estabelecimento comercial (e privado) aceitar criança, é menos desgastante escolher um lugar mais pronto pra recebê-los. Dia desses fui no café da Bioon, que tem um brinquedão, com uma amiga, e foi SUUUUPER tranks. João brincou, lanchou e a gente pode conversar com sossego. Bem melhor do que eu ter que ficar reclamando depois, estressada porque lugar n tinha trocador, nem brinquedo nem não sei o q. Tem mercado pra tudo e pra todos.

– é bom fazer um mea culpa e admitir que às vezes a irritação da criança é mais culpa nossa que deles. De onde que eu tirei que passar a tarde no shopping, cheio de estímulos, sem ninguém pra me dar uma mão, seria uma boa ideia? Nem sempre é por mal, mas com esses erros a gente vai programando os nossos acertos também.

– e por fim, existe um caminho entre não botar limite nenhum e ser autoritário. Ele passa por não se importar com o calor que sobe nazoreia e dá vontade de explodir na oreia do moleque, blindar os ouvidos e olhos contra palpites e olhares de reprovação, contar até mil se necessário, técnicas de respiração, e em último caso, apenas pegar o moleque pelo braço e estabelecer uma rota de fuga.

No fim das contas, fiquei orgulhosa de mim mesma nessa primeira experiência. A gente sobrevive a isso também, after all.