Diário da barriga: 38 semanas

As últimas três semanas, que foram as que fiquei sem escrever, foram intensas. Muitos altos e baixos, pouca paciência, e um bocado de imprevistos. Fiquei sem tempo e sem vontade de escrever, minha saúde estremeceu, mas a vida seguiu, e é isso que importa.

A minha saúde, até agora inabalável, foi atingida há duas semanas por uma gripe, daquelas que eu nem lembro quando foi a última vez que tive. Depois de passar um sábado, um domingo e uma segunda lutando contra febre e mal-estar, veio a cereja do bolo: a garganta começou a doer. Isso pra mim sempre teve um único significado: amigdalite.

Chamei o Décio e corri pro pronto-socorro na madrugada de segunda pra terça, pra ter o diagnóstico que já sabia. A parte chata foi ter que tomar antibiótico, isso sim me fez mal, não fisicamente, mas alterou muito o emocional. Me senti meio derrotada por ter que estar tomando um remédio desses a tão pouco tempo do parto. Depois de muito refletir, resolvi me perdoar e encarar positivamente: pelo menos tive que tomar o remédio com o João já plenamente formado.

Passei também pela última bateria de exames de sangue e ultrassom, e os bons resultados me deixaram aliviada. Depois das doses de ferritina direto na veia, os índices finalmente subiram e eu já estou livre do risco de anemia. As dores nas costas perderam força, mas ainda aparecem, depende muito de como é meu dia. Andar demais ou passar o dia inteiro sentada no trabalho são as duas coisas que mais contribuem negativamente.

Por falar em trabalho, desde ontem estou em casa, de atestado. Muitas mulheres não sabem, mas por lei, a grávida tem direito a um atestado de até 14 dias, sem descontar do tempo de licença maternidade. Esse atestado pode vir antes ou depois da licença. E como eu estava muito desgastada fisicamente, pelo cansaço, e emocionalmente, pela correria da rotina, peguei esse atestado agora, depois de tomar bronca da médica, do acupunturista e do osteopata.

Ao mesmo tempo em que desacelerar está um pouco estranho, e tem horas que eu fico zanzando perdida pela casa, sem saber o que fazer, está divertido esse brincar de casinha. Brinquei dia desses num post de Facebook que a maternidade me deixou meio Martha Stewart, eu só não imaginaria que ia gostar tanto da rotina de dona de casa.

É uma rotina muito menos parada do que se possa imaginar, e eu não tenho feito de que eu já não gostasse de fazer: cozinhar, organizar, pensar em projetos de decoração e melhoria, fazer scrapbook… Estamos com dois projetos pra deixar a casa mais simpática: melhorar a disposição e decoração das salas, e meio que refazer a área externa, incluindo um jardim, horta e um espacinho de bem-estar. Confesso que está sendo bastante divertido, e estou aprendendo um monte de coisa que não sabia, além de estar me sentindo bem melhor.

Me envolver com a casa e com a família tem sido uma maneira bacana (e acho que até meio instintiva) de aliviar a ansiedade desse final de gravidez, que é grande. Eu sou uma pessoa controladora no sentido de que gosto de saber exatamente onde estou pisando, e tentar prever ao máximo os acontecimentos, e às vezes é frustrante demais simplesmente deixar acontecer.

Eu percebi ontem que andava muito mal humorada e reclamona, justamente por conta dessa falta de controle, e prometi a mim mesma me policiar para tentar curtir mais o momento e enxergar as coisas mais positivamente. Não é fácil, principalmente quando o incômodo físico pega (e atrapalha o sono ou interfere no meu momento activia), mas tem valido a pena. Estou percebendo que desacelerar facilita muito esse processo.

Felizmente, nem tudo é aporrinhação. A gravidez estreitou meus laços com muitos amigos, e tem feito a rotina em casa ser leve e deliciosa. É como se pairasse um clima de amor no ar e todos os meus momentos tivessem aquele quê de board do Pinterest.

A manhã de pintura na barriga foi assim, cheia de amor. <3
A manhã de pintura na barriga foi assim, cheia de amor. <3

Nessas últimas semanas tivemos, por fim, um dia muito especial, que foi o dia 09/05. Pela manhã, tivemos um encontro com a minha doula para o ultrassom natural e a pintura da barriga. Pelo toque ela consegue saber a posição do bebê, conseguimos ouvir o coraçãozinho, e ela o desenha, tal como está na barriga. Duas amigas vieram pra casa e tornaram esse momento ainda mais especial.

De tarde, tive a benção do ventre junto com o grupo da Teia de Thea do qual faço parte, e eu sou incapaz de descrever o quanto essa foi uma tarde feliz. Um dia memorável, apenas. De agora em diante, é trabalhar a paciência. João tem até dia 30/05 pra nascer sem pressa, e eu vou tentando curtir os momentos enquanto ele não vem. Pra quem quiser acompanhar posts mais fresquinhos, em vez de esperar pra ler meus textões, é só me seguir lá no Instagram!

Até a próxima semana!