Gravidez: semana 30

Desde o último sábado minhas costas voltaram a doer ferozmente. Não me lembro de ter feito nada demais, mas numa abaixada senti o “jeito”, e desde então pronto, não parou de doer. O problema maior é que não é uma dor besta. Dói muito, dá vontade de chorar.

Hoje na aula de pilates, num determinado momento eu não consegui me mexer. Desesperei, o olho lacrimejou, porque quanto mais eu tentava, mais doía e eu não conseguia sair do lugar. Precisei do socorro da fisioterapeuta, e vou precisar voltar ao osteopata amanhã.

Nas duas últimas semanas, a vida tem sido continuamente me acostumar a reduzir o ritmo. Não dá mais pra sair de casa de manhã e só voltar tarde da noite. Não dá pra passar a maior parte do dia em pé, e nem sentada. Não dá mais pra deitar de barriga pra cima. E não dá mais pra ter paciência.

Não sei se é rebeldia, por não poder levar a vida do jeito que eu sou acostumada, se é a bomba de hormónios, se é a dor nas costas aflorando o mau humor, ou se é tudo junto, mas eu ando muito sem saco pra tudo. Muito. Ainda bem que normalmente eu não me importo muito de ser na minha, e até um pouco grosseira. Mas tem horas que nem eu me suporto, e penso nos coitados que tem que conviver comigo, que vão direto pro céu por sobreviver a essa fase.

mau_humor

A cada dia eu me forço a pensar em algo pra diminuir o ritmo. Já troquei o serviço de casa pela ajuda de uma pessoa com a faxina, já eliminei boa parte das minhas atividades, incluindo as sociais, e já estou pensando em diminuir outras, como dirigir, e delegar o máximo possível de coisas.

Não ando com muita vontade de sorrir, ser simpática ou dar bom dia. Se continuar assim, daqui a pouco quando abrir a boca eu vou começar a relinchar, em vez de falar. Às vezes me sinto uma criançona mimada, e fico com vergonha por estar me sentindo assim, e tratando as pessoas a meu bel-prazer. Mas procuro não sentir muita culpa, porque é um estado que logo vai passar.

Meu maior medo nisso tudo é prejudicar a gestação, com todo esse stress. João está indo muito bem, e eu tenho procurado me conectar com ele, e explicar porque sinto todo esse incômodo. Peço desculpas, e peço que ele aguente as pontas, por nós dois. Menino forte esse.

E por conta de tudo isso, essa semana eu resolvi me reservar mais, e me fechar para as situações de maior stress. Tenho encontrado uma compreensão infinita na equipe de trabalho, em casa com o pai do João, e com a maior parte dos amigos. Decidi manter os dedos longe do teclado quando surgir aquela vontade de um post polêmico no Facebook, e resolvi abandonar as atividades nas quais minha participação não seja fundamental.

Por fim, ontem eu decidi que doula irei contratar, acho que será uma grande ajuda nesse momento. Está chegando o momento. Faltam praticamente dois meses, e tudo começa a tomar proporções grandes. Parece que a ficha tá caindo. Enquanto isso, vamos torcer pra que a semana que vem seja um pouquinho melhor que essa.