Janeiro: tudo novo, nada diferente

No final do ano passado me dispus a ajudar alguns amigos e conhecidos com suas resoluções de ano-novo, como parte de alguns estudos pessoais, que espero poder compartilhar mais a respeito em breve. Chegou Janeiro e estou percebendo a galera ansiosa, querendo fazer tudo ao mesmo tempo agora.

Eu sempre fui assim. Tantas vezes passei Dezembro planejando, Janeiro implementando e nem bem tinha chegado Março, e eu já tinha me perdido na minha ansiedade. Acho que essa ânsia de fazer tudo que não fizemos em um ano em um mês é muito natural. E destrutiva.

Nenhum processo de mudança, por mais honesto que seja, é rápido. A mudança vai acontecendo e em muitas vezes, até mesmo depois que a gente já se sente mudado, a gente derrapa, desliza e se perde um pouco.

O clima que fica das festas de ano novo nos incita a implementar novos projetos em nossas vidas, e isso é bom porque não deixa de ser um incentivo. Mas não deve nos dominar. É bom que Janeiro seja o mês de coisas novas, mas é bom também que as mudanças sejam graduais.

Eu percebi que a transição de ano pra mim foi fluida como nunca havia sido antes. Não senti de fato que foi uma grande mudança de ano como eu costumava esperar e até forçar para que fosse. Foi muito mais estar subindo uma rampa suave do que um degrau alto.

Essa constatação foi uma alegria pra mim, porque me senti conectada com um propósito muito profundo, que vem se confirmando nos últimos dois ou três anos. E eu queria muito que meus amigos pudessem experimentar essa sensação.

Apenas não se engane, porque isso não quer dizer de forma alguma que as coisas vão começar a sair perfeitas na sua vida. Eu mesma ainda não terminei meus setups para 2018, terminei o ano com pendências importantes e não consegui cumprir um objetivo primário pra mim em 2017, que era terminar o ano numa situação financeira melhor. Mas me sinto no caminho, mais do que nunca.

Então eu proponho que a gente viva esse 2018 mais como brisa do que como furacão. Defina o seu lema para o ano e se agarra nele. Eu defini que depois de “persistência” em 2017, esse é o meu ano de “fazer e não reclamar”. O trabalho vai ser árduo, a vida vai continuar enrolada e as horas de sono podem diminuir, mas estou indo, no meu tempo, sem titubear. Devagar e sempre. Um dia de cada vez e cada dia melhor.

Imagem: https://everydayloveart.com/product/autumn-breeze/

E se a ansiedade aumentar, compartilho uma tática minha que sempre funciona: coloca tudo que te angustia num papel. Pode ser uma lista, pode ser um mapa mental. Não precisa fazer sentido. Dobra e bota numa caixinha, ou separa um caderno pra ser o seu caderno da angústia. Te garanto que 90% do que for escrito lá, não terá mais importância no dia seguinte. Até mesmo essa angústia de Janeiro despontando aí em você.