Notícias do João: 24 semanas

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Há uns 10 dias fiz uma consulta pré-natal importante: levei para a médica os resultados da ecografia de 22ª semana, que dizem que é a mais importante no sentido de ter algo errado com o bebê. E felizmente está tudo certo com o João, e com meu corpo também. Estou agora na 24ª semana, mais duas e entro na etapa final da gravidez: o último trimestre.

Fisicamente não há nada pra me queixar: até com o ganho de peso, que achei que seria um problema, estou indo bem: apenas 3 kg ganhados até agora, praticamente uma grávida fitness. Já consigo distinguir bem as sensações do meu filho se mexendo lá dentro, e já deu até pra ver a olho nu os pulinhos que ele dá de vez em quando.

Porém, começam a surgir algumas preocupações e sentimentos que não tinham surgido antes. Acho que no geral estou lidando bem com a coisa toda, talvez porque eu não tenha me sentido até então de fato diferente. E agora eu me sinto plenamente grávida, e isso assusta.

O pior ponto pra mim é a dor nas costas. Fui a um osteopata que me disse que eu não tenho nem nunca tive fibromialgia. Segundo ele, por conta da má-formação que tenho na coluna toda a estrutura óssea da base da coluna tá meio “torta”, e nisso dói músculo, nervo, tudo. E com o peso da barriga, dói bastante. As vezes sinto umas pinçadas que me fazem perder completamente a força nas pernas, e a dor perdura sempre dois, três dias.

Em partes por conta da dor, e em parte pela barriga, alguns movimentos e tarefas se tornam cada dia mais difíceis de executar, tipo deitar de barriga pra cima, ou limpar a caixa de areia dos gatos. Sou uma pessoa muito ativa, e essa sensação de “inutilidade” me afeta bastante. Penso que se a tendência for piorar, meu humor lá pelo fim da gravidez vai apenas inexistir.

A autoestima começa a ficar balançada também. Eu demorei pra ter o que várias grávidas reclamam, de não se sentirem bonitas etc, e só agora estou sentindo um pouco o peso disso. Mas não é toda hora não. Felizmente meu cabelo tá bem bonito e a minha pele, apesar de não estar 100%, melhorou bastante. É um problema menor.

O que começa a pegar de verdade é o medo. Em muitos momentos eu me pego, se não triste, um tanto melancólica e temerosa pelo que ainda está por vir. Ler as histórias de parto me assusta. Pensar no que pode e no que não pode dar certo. Imaginar a nova rotina, me perguntar se serei capaz de amamentar, ter que lidar com tanto palpite alheio, tudo isso junto me aterroriza.

Comecei a ler “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, e mesmo que eu pretenda resenhá-lo depois, começo a ter essa sensação do início de um encontro com a sombra: num dia está tudo bem, no outro, tudo aquilo que eu guardo bem fundo no baú ameaça vir à tona.

Enfim, toda a experiência está sendo uma grande montanha-russa. Dia de altos, dia de baixos, muito embaixo. Porém, mesmo que medo seja uma constante, me sinto muito acalentada pela conexão maior que vai se formando entre mim e João: aquele estranhamento do início, aquilo de não me sentir mãe, começa a dar lugar a uma ligação de um amor muito profundo, traduzido por carinhos incessantes na barriga, conversas mais naturais e uma consciência maior do corpo, do meu e do dele, lá dentro.

Não saberia precisar ainda se é a coisa mais sublime do mundo, mas definitivamente, é algo especial. Em duas semanas entro na etapa final: o último trimestre. Vamos ver o que está reservado pra mim até lá.