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Checklist fim de ano {revisão 2016/planejamento 2017}

No mês passado, resolvi dedicar um pouco do meu tempo pra ajudar outras pessoas com o que sei fazer de melhor, que é planejar, elaborar checklists. Em Novembro, eu republiquei uma planilha que fiz há muitos anos, de checklist de social media, e resolvi começar […]

Dilemas da maternidade e carreira

Resolvi escrever esse post depois de uma longa conversa com uma amiga. Depois que me tornei mãe e redefini os rumos da minha carreira, muita gente me procurou pra trocar uma ideia. Talvez, pelas minhas postagens, eu passe a impressão de que foi tudo muito fácil ou tranquilo, mas não foi nem perto disso.

Vejo um movimento muito forte de romantização do empreendedorismo materno, que acho muito prejudicial. Assim como também acho prejudicial o oposto, essa ideia de que temos que abdicar de tudo e ficar integralmente com os filhos pra ser mães.

Digamos que eu passei por todos os extremos. Mas como em tudo na vida, encontrei sentido na moderação. Na verdade, a resposta está em nós mesmas o tempo todo. Só quando nós somos inteiras e estamos bem é que conseguiremos ser a mãe que nossos filhos merecem. Mas sem dúvida, estamos sendo o melhor que podemos, integralmente.

Divido a minha jornada entre maternidade e carreira, não com objetivo de impor regras e dizer o que é certo ou errado. Quero apenas dividir mesmo, e quem sabe inspirar alguém que esteja em posição complicada.

Antes do João

Sou publicitária, com 11 anos de carreira. Já dividi algumas vezes insatisfações minhas com o mercado, e quando fiquei grávida do João, meu nível de insatisfação com a vida em agência estava no máximo.

João acabou sendo a coragem que eu nunca tinha tido pra planejar uma mudança. Eu queria correr daquele ambiente que me tornaria uma mãe ausente, não queria ser “menas” mãe, terceirizar a educação do meu filho porque passaria 10, 12h enfurnada num escritório.

Aproveitei uma onda de demissões onde eu trabalhava, e com medo de ser a próxima, propus um acordo, já depois de João ter nascido. A simples ideia de voltar pra rotina de antes me aterrorizava, e firmar esse acordo foi praticamente renascer pra mim.

Conversei com meu companheiro, que concordou que eu ficasse em casa e fosse mãe em tempo integral. A vida parecia bonita e simples, eu seria bela, recatada e do lar, e feliz pra sempre.

Hoje, percebo dois erros graves nesse plano: o primeiro, faltou um planejamento financeiro mais apurado. Meu acerto foi bom, e durou quase um ano, mas eu não soube usar bem o dinheiro. Quando nos vimos inteiramente dependentes de uma renda apenas, a coisa apertou bastante. Faltou planejar melhor, botar tudo na ponta do lápis e ajustar as contas da casa.

O segundo erro foi ter desconsiderado traços marcantes da minha personalidade. Ser apenas dona de casa por um momento foi tranquilo, mas a longo prazo nunca me faria uma pessoa plena, e eu não enxerguei isso. O tempo foi passando, e ser mãe em tempo integral começou a me sufocar.

Foi então que caí no conto da mãe empreendedora unicórnio, e vi na minha habilidade e paixão por cozinhar uma oportunidade.

Transição e mais erros

Sim, eu resolvi começar a fazer doces para vender. Proposta legal, hype, orgânicos, naturebas etc, nasceu a Doce Nostalgia. Por uns 4 ou 5 meses, eu planejava cardápios, divulgava, vendia pequenas quantidades uma vez por semana.

Custou muitas noites acordadas até 1h, pra 5h depois estar de pé. Custou muitas tardes de João chorando no meu pé, e eu chorando na beira do fogão. Custou muito, mesmo. Custou dinheiro que eu não tinha, tempo, desentendimentos diversos.

Mas eu vi de perto que empreendedorismo não é só uma ideia na cabeça e uma ferramenta na mão. Tem que planejar, investir, se ajustar. Não dá pra sobreviver vendendo 20 docinhos por semana, nem vendendo só pros seus amigos. Não dá pra fazer doce de forma decente com umas poucas panelinhas, um fogão meio capenga, a cozinha do dia a dia.

Eu insisti mesmo assim, e querendo provar pra mim mesma que eu conseguia, cometi o maior erro: fechei participação num evento grande. Não gosto nem de lembrar, meu Deus, quanto estresse. Gastei dinheiro, comprei um monte de coisa, estrutura pra montar banquinha, matéria-prima…

Depois disso eu dei o braço a torcer. Vender doce não foi uma má ideia, mas foi algo que fiz movida apenas pelo ímpeto de realizar algo, fugir da maternidade integral, sem querer voltar pra agência. Nesse momento, me vi sem dinheiro, sem saber o que fazer, imersa numa crise pessoal imensa.

A gente dá murro em ponta de faca, mas cresce

Resolvi me voltar para a minha formação, mas como exercer a parte que eu gostava da publicidade sem voltar pra agência? Eu sempre gostei bastante da produção de conteúdo, entrei no digital por essa porta, e a vida de blogueira sempre me ensinou bastante. Mas fui indo mais pro lado do planejamento e da gerência, e a produção de conteúdo se tornou algo que eu apenas delegava no trabalho.

Resolvi me arriscar. Muitos me criticaram por resolver voltar pra operação, por considerar que eu estaria “retrocedendo” na carreira. Mas eu nem liguei. Pedi indicações a alguns amigos, dei um tapa no Linked In e tentei.

Graças aos amigos maravilhosos que tenho, e que confiam no meu trabalho (e que sabem quem são!), consegui alguns freelas de produção de conteúdo. As entregas foram de boa qualidade e o cliente pareceu satisfeito em todas, e assim as coisas seguiram. Mas não foi mágico e instantâneo. Eu tive que me aperfeiçoar, estudar, investir.

Como tudo na vida, a produção de conteúdo é algo que eu sigo aprendendo. Eu também tive que passar pelo dilema que toda mãe passa mais cedo ou mais tarde: colocar na escola/contratar babá.

Talvez pelas experiências anteriores, e por esse dilema ter chegado pra mim quando João estava perto de completar um ano, a decisão não foi difícil. O que mais pesou foi o medo de não ter a estabilidade financeira necessária pra assumir um compromisso desse, mas ainda assim eu fui. Ter uma babá seria o único jeito de não ficar igual o zumbi da época da Doce Nostalgia, que queria fazer tudo sozinha.

Nesse período, em que eu também me descobri no meio de uma crise depressiva e com a descoberta de uma segunda gravidez, outra coisa foi essencial: querer ficar bem e procurar ajuda. Sempre bato muito nessa tecla com as pessoas mais próximas: se você sente que não está bem, procure ajuda profissional. Eu repito, foi essencial pra mim.

Sobre o futuro e as decisões de cada mãe

Depois de muito murro em ponta de faca e tentativas, me sinto feliz com o espaço que conquistei. Ontem mesmo alguém comentou que pensava em mudar de profissão, e que seria feliz trabalhando numa área x, diferente da atual. Pensei comigo mesma: “hoje, depois de muito tempo, eu não mudaria, porque sou feliz fazendo o que faço”. Claro, tenho projetos paralelos, mas os vejo mais como um complemento.

Meu trabalho é home office na maior parte do tempo, João tem uma babá ótima e amorosa e o tempo que passamos separados faz um bem danado pra nossa relação. Ainda assim, consigo acompanhá-lo de perto e estar presente nos momentos mais importantes. Perco algumas coisas, claro, mas eu desencanei de muita coisa da maternidade e me sinto segura com minha forma de ser mãe hoje.

Se eu ganho bem? É MUITO menos do que eu ganhava sendo gerente de planejamento. O orçamento da casa é apertado, mas vejo que ainda assim somos muito felizes. É aquela coisa do contrapeso, abrimos mão de muita coisa pra equilibrar as contas, conseguimos sobreviver de uma forma modesta, mas muito honesta com nossos valores.

Pra quando Luiza vier, precisaremos fazer ajustes e aumentar nossa renda, o que significa trabalhar mais, provavelmente. Mas um passo de cada vez. Eu tenho certeza que as coisas vão se ajustar e vou achar o meu caminho de novo. Agora, com mais segurança de por onde trilhar, me sinto mais decidida para fazer escolhas difíceis.

Como mulher e mãe, é muito fácil me vitimizar e não ser protagonista da minha história, mas isso é algo que felizmente eu tenho quebrado. A gente convive com culpa demais, e isso interfere muito nas decisões. Sim, tem muita injustiça, mas eu prefiro apenas lutar contra elas sem me lamentar o tempo todo.

De vez em quando, alguma amiga/mãe vem me perguntar o que eu acho que seja uma boa saída para os dilemas da carreira aliada à maternidade, e sinceramente, eu não acho que exista uma fórmula. Mas acho que deve haver um profundo respeito pelas vocações pessoais de cada uma, e ao momento vivido.

O que isso quer dizer? Apenas que você deve ouvir seu coração, e se entregar ao risco das suas escolhas. Se você quer ser mãe e dona de casa integral, apenas seja. Pare de ficar se lamentando pela carreira que você abandonou, e seja feliz. Se você quer botar na escola ou contratar uma babá porque sente que precisa investir na sua carreira, faça. E confie no seu amor pela sua cria, deixa a culpa vir, tomar um café mas manda ela embora depois.

É difícil, mas pode ser simples também.

Download: Checklist de social media

Há uns 4 ou 5 anos mais ou menos, criei uma planilha de checklist de social media. É uma planilha muito simples, de operação, que lista algumas das tarefas que temos enquanto produtores de conteúdo/social media. Como estava muito envolvida com esse universo no trabalho, […]

Desapegos de fim de ano

Oi gentes! Estou fazendo um desapego clássico de fim de ano, pra renovar as energias, abrir espaço pro novo e permitir que as coisas que não me servem mais possam ser úteis pra alguém. Ainda estou separando as coisas e não tenho tempo de postar […]

Chilique em público: aconteceu por aqui

E aí que coincidentemente nessa onda de criança pode ou não pode ir em lugar x, anteontem, João deu seu primeiro show em público. Show bonito, pirotécnico, choro gritado, e tudo que tinha direito.

Eu, achando que seria uma boa ideia, analgésica e distrativa, fui passar a tarde com ele no shopping, na esperança dele se distrair e eu não ter que forçar meu ombro. Tudo foi bem até a hora de lanchar. Fomos na Cultura e eu pensei: comemos primeiro, depois solto a peia dele na seção infantil.

Fazendo o pedido, vejo que ele não quer mais ficar no carrinho. Conversei, falei que ia soltar no chão, mas que era pra ficar junto de mim. Hahaha. Foi só largar o braço que ele foi brincar do seu jeito favorito atualmente: empurrar carrinho até não ter mais espaço. Travei a roda do carrinho e ele foi direto nos carrinhos de bebê das mesas vizinhas e empurrou. Com bebê dentro.

Fui lá, peguei pelo braço, trouxe pra junto e daí pra frente só foi piorando de choro e drama. Senti o calor subindo e mijulguem, mas nessas horas se a gente não se controla, mete a mão. Só parou quando chegou o lanche (comida tem efeito mágico nesse menino), mas até parar foram alguns olhares desesperados de mães vendo ele empurrar o carrinho com recém-nascidos dentro, um senhor pra quem quase tive que pagar uma água nova e um comentário não solicitado que só respondi o olhar.

Enfim, sei que outros virão. Não estávamos num território inimigo, Cultura tem seção kids e Iguatemi deve ser o shopping com maior quantidade de bebês por m2. Mas tirei algumas lições:

– sorry, gente, mas criança não pode tudo não. Claro que palpite não solicitado é um saco, mas a gente tem que ser um pouco auto-crítica nessa hora. Não daria pro João meter a mão na água do cara, ou sair empurrando carrinho com bebê dentro e eu ficar sorrindo e falando “criança é assim mesmo”. Ela pode até ser assim mesmo, mas eu tô aqui pra ensinar que a gente convive em sociedade e não, não dá pra fazer tudo que a gente quer. Limite é bom e super necessário.

– em vez de ficar brigando pra tudo quanto é estabelecimento comercial (e privado) aceitar criança, é menos desgastante escolher um lugar mais pronto pra recebê-los. Dia desses fui no café da Bioon, que tem um brinquedão, com uma amiga, e foi SUUUUPER tranks. João brincou, lanchou e a gente pode conversar com sossego. Bem melhor do que eu ter que ficar reclamando depois, estressada porque lugar n tinha trocador, nem brinquedo nem não sei o q. Tem mercado pra tudo e pra todos.

– é bom fazer um mea culpa e admitir que às vezes a irritação da criança é mais culpa nossa que deles. De onde que eu tirei que passar a tarde no shopping, cheio de estímulos, sem ninguém pra me dar uma mão, seria uma boa ideia? Nem sempre é por mal, mas com esses erros a gente vai programando os nossos acertos também.

– e por fim, existe um caminho entre não botar limite nenhum e ser autoritário. Ele passa por não se importar com o calor que sobe nazoreia e dá vontade de explodir na oreia do moleque, blindar os ouvidos e olhos contra palpites e olhares de reprovação, contar até mil se necessário, técnicas de respiração, e em último caso, apenas pegar o moleque pelo braço e estabelecer uma rota de fuga.

No fim das contas, fiquei orgulhosa de mim mesma nessa primeira experiência. A gente sobrevive a isso também, after all.

Como vão as coisas

Ontem tive uma sessão de terapia muito dolorosa. Há dias vinha me sentindo muito bem, o enjôo passou, a disposição melhorou. Voltei a trabalhar nas minhas ideias, a ter vontade de fazer, de reciclar a energia. E foi uma surpresa enorme pra mim, quando do […]

Sobre mergulhar na escuridão (e tentar vir à tona)

Há algum tempo percebi meu desânimo crescente, minha indisposição anêmica, minha alegria de viver esvaída. Internamente me perguntei sobre uma possível depressão, mas o fato é que essa é uma condição difícil e vergonhosa demais de admitir, tanto para si mesmo quanto para os outros. […]

Pelo nosso primeiro ano

Querido Jojoco,

Hoje eu reparei que as unhas do meu pé estão enormes, e que eu teria que usar um sapato fechado pra sua festinha de um ano. De vez em quando eu me pergunto que tipo de pessoa foi essa que me tornei, que não tem 5 minutos nem pra cortar a unha do pé. Será que eu não sou tão organizada assim? Ou será que bebês tomam mesmo para si boa parte da nossa energia vital?

Aliás, me desculpe por escrever essa carta. Você tem uma mãe do contra num nível quase patológico, o que significa que se um grupo de mais de 5 pessoas faz alguma coisa (tipo escrever blogs de cartas públicas para seus filhos), eu já acho cafona. Mas eu abri essa exceção na chatice, e espero que você entenda.

Mas voltando lá ao ponto inicial, eu mudei muito. Ontem fizemos a sua festinha, e eu passei o dia inteiro meio anestesiada, meio feliz, e meio angustiada também, um misto do turbilhão de emoções que foi esse nosso primeiro ano juntos. Percebi que ter resistido ao primeiro ano é algo que deve ser sim comemorado (e talvez seja por isso que as pessoas gastem tanto em festas de um ano).

Nós de fato vivemos esse último ano em total simbiose, e talvez a minha angústia, que me acompanhou em todos esses últimos dias, seja pelo fato de que o seu um ano seja o marco de que agora, mesmo que em passos lentos, começaremos a viver nossa vida nos separando, aos poucos.

Foi um ano difícil né? Ter filho é como estar num relacionamento complicado, do qual a gente não pode sair. Aliás, até pode, mas quando chega a virar as costas, dói tanto que a gente volta, mesmo sabendo que vai chorar de novo. Eu fui idiota com você em muitos momentos. Gritei, xinguei, taquei umas coisas no chão e te deixei chorando. Lembrar de cada coisa dessas que fiz me deixa mal num nível de fossa que eu desconhecia antes. Nunca deixarei de pedir perdão por essas coisas, apesar de saber que você nem se importa mais com isso.

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Uma das melhores fotos da semana, tirada pela dinda Ana <3

Eu só tenho a agradecer por você, meu queridinho. Por ser tão doce, tão disponível e sociável, tão risonho. Meu coração fica apertado sempre que eu penso que você vai crescer, e ter que aprender a lidar com as durezas da vida, e que talvez essas situações te endureçam um pouquinho. Não, eu não quero te proteger numa redoma, até porque eu sei que você é muito mais capaz de enfrentar o mundo que eu, mas eu não admito nem de perto a possibilidade de que você não seja uma pessoa feliz.

Na verdade, eu só queria escrever essa carta pra agradecer. É uma lista longa, e eu com certeza não vou me lembrar de tudo, mas eu agradeço pelos sorrisos e abraços que você me dá, e que me fazem esquecer que a vida é complicada. Pelas vezes que você se vira na cama, como se quisesse abraçar seu papai enquanto dorme. Pelo amor que a gente vê que você tem pelos nossos bichinhos, e que terá por todos os outros que passarão pelo seu caminho. Pela sua capacidade de olhar profundamente pra gente, e reconhecer o bom e o ruim, e conseguir abrir aquele sorriso gostoso, sem julgar, oferecendo sempre a chance de oferecermos nosso melhor a você. Agradeço pela possibilidade que você dá a mim e a seu pai de nos conhecermos, nos amarmos, e nos conciliarmos, assumindo fraquezas e expadindo a paciência e o perdão, em nome do seu bem-estar.

E não, eu ainda não cortei as minhas unhas do pé. Eu dei uma envelhecidinha, nunca mais fui à manicure, só me depilo quando dá. Salão, só quando é presente, e quando alguém se oferece pra cuidar de você um pouco. Para os outros talvez eu tenha ficado um pouco mais feia e desleixada, mas eu me sinto bonita, feliz, radiante, porque eu sou sua mãe, e você, nesse último ano, me transformou na melhor das pessoas. Ainda vai vir mais, eu sei.

Amo você, meu pequerrucho.

Sobre mães, filhos pequenos e espaços coletivos

“É engraçado que num lugar como uma igreja, as pessoas façam cara feia pra criança, né?”. Alguém levantou esse ponto numa discussão da qual eu participava no domingo, e eu fiquei pensando nisso, e pensando na minha condição atual, e na minha condição passada. Eu […]