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Sobre mães, filhos pequenos e espaços coletivos

“É engraçado que num lugar como uma igreja, as pessoas façam cara feia pra criança, né?”. Alguém levantou esse ponto numa discussão da qual eu participava no domingo, e eu fiquei pensando nisso, e pensando na minha condição atual, e na minha condição passada. Eu […]

Às vezes o saco enche

Hoje o João passou o dia quase inteiro no meu colo. Nas poucas vezes que fiquei com os braços livres eu estava fazendo coisas pra ele mesmo: fui ao supermercado comprar comida pra papinha, fiz a papinha, ou estava ocupada interagindo com outras pessoas. Isso […]

A difícil arte da presença

 

Eu escrevi e apaguei esse post duas vezes. E percebi que estou cansada demais para me explicar. E que mesmo querendo, eu não preciso. Mas eu preciso me expressar. Preciso encontrar um pontinho de luz, alguma mudinha em mim que eu consiga fazer brilhar, sem me cansar.

A relação entre mim e João é a coisa mais intensa, dúbia e louca que eu já vivi. A cada dia aprendo que eu preciso desacelerar, mas ao mesmo tempo, eu preciso encontrar um tempo e um espaço que sejam meus, para me manter de pé nessa jornada. Entendendo isso, eu me perdôo pelas minhas angústias e pensamentos.

Ser presente, atenciosa, me doar, é uma arte. Uma dessas artes da qual eu não sei nada. E que, teimando em aprender, eu saio um pouquinho mais estropiada a cada dia.

Sobre esses últimos 4 meses

Ontem João fez 4 meses. Foi um dos dias mais difíceis com ele, dos muitos que temos tido nessas últimas semanas. E por mais que eu sinta alguma culpa em admitir isso (a realidade construída das mães perfeitas não admite que a gente admita os […]

Como foram os primeiros dois meses do João

Eu queria ter escrito um post sobre resguardo, um sobre a rotina do João e outro sobre alguma coisa que não lembro, mas mais de dois meses se passaram e eu resolvi juntar todos os temas num post só. A frase anterior resume muito bem […]

Assumindo um desejo

Eu sou quadrada em muitos sentidos. Não tenho essa flexibilidade toda que é característica da geração Y (até porque teoricamente eu ainda sou X). Digo isso porque há algum tempo li uma matéria que falava algo sobre ser feliz tendo várias carreiras ao mesmo tempo, ou ainda abandonando uma e partindo pra outra, mesmo que parecesse “tarde demais”.

Sempre pensei o oposto disso, e na época ler esse texto foi muito libertador, no contexto dos pensamentos. Eu achava que como tinha me formado em publicidade, só conseguiria prosperidade fazendo isso, em partes por ter o pensamento quadrado, e em partes porque carreira sempre esteve relacionada pra mim a muito estudo e preparo, o que requer tempo.

Desde que li esse texto, eu comecei a pensar nas outras coisas que eu poderia ser na vida, além de publicitária. Coisas que eu gostaria de aprender, mesmo que não fossem uma carreira ou uma fonte principal de renda. Eu disse ali em cima que a libertação foi no âmbito das ideias, porque eu nunca tive muita coragem de assumir outra ocupação.

É um preconceito (ou talvez pior, um complexo de inferioridade) besta meu, uma vozinha que fica lá no fundo ecoando, e repetindo que eu não tenho nenhuma autoridade pra me auto declarar qualquer outra coisa além de publicitária.

Acontece que nesses dias do João, com licença-maternidade, eu resolvi tentar fazer uma faxina mental. Ter um filho nos dá uma noção plena de que a vida está passando, e que meus sonhos tem que começar a sair da esfera do pensamento e passar à esfera da realização. Tenho visto exemplos próximos que mostram que nunca é tarde demais para recomeçar, ou para diversificar.

E eu escrevi essa palestra toda pra dizer que eu resolvi estudar confeitaria, uma paixão antiga. Desde nova, eu sou maluca por doces, e em família, ou nos encontros com amigos, eu sempre fui a responsável por levar a sobremesa. Já pensei em estudar gastronomia, mas não foi uma ideia que durou muito, porque pro lado salgado da coisa eu não tenho pretensão de ser profissa. Meu lance sempre foi o doce mesmo.

como-abrir-confeitaria

Por isso, resolvi assumir esse desejo antigo, e ter coragem de estudar confeitaria. Me tornar uma especialista no assunto, e poder falar isso com a mesma segurança que me afirmo publicitária. Estou mudando de carreira? Agora não. Vou mudar um dia? Talvez, nunca foi segredo pra ninguém que eu não pretendo ser publicitária o resto da vida. Mas por que estudar então? Não basta apenas continuar cozinhando doces?

Como eu disse antes, eu sou dessas que não consegue “ser” alguma coisa sem um mínimo de estudo e dedicação. Eu tenho talento para a confeitaria, mas me falta técnica. E pelas minhas leituras preliminares (e toda a programação do GNT, e Discovery Home & Health que tenho assistido), a confeitaria é uma área que demanda MUITO conhecimento e técnica. Se for pra ser doce, que seja bem feito. Boleiro sem técnica tem aos montes por aí.

Assumido o desejo, mãos à massa. Agora não tenho muita condição de fazer cursos presenciais por causa do Jojoco, mas estou vendo cursos bem legais online mesmo. Estou lendo bastante por conta própria, e assim que der, vou fazer o curso do Senac, que aqui no DF é bem elogiado e dá os alicerces. E claro, testando. Por isso tenho cozinhado e postado tantas fotos de doces nos últimos tempos.

Não sei até onde isso vai, mas me sinto muito bem só por ter assumido essa vontade e por estar investindo nesse sonho. Vamos ver onde chegarei.

Relato de parto do João Checho

Eu perdi a conta de quantas vezes comecei a escrever esse texto e acabei apagando depois. É engraçado, porque de início eu não queria escrever por estar sensível demais. Cada lembrança de algum momento do parto me fazia cair em prantos. Agora já não me […]

Diário da barriga: 38 semanas

As últimas três semanas, que foram as que fiquei sem escrever, foram intensas. Muitos altos e baixos, pouca paciência, e um bocado de imprevistos. Fiquei sem tempo e sem vontade de escrever, minha saúde estremeceu, mas a vida seguiu, e é isso que importa. A […]

Diário da barriga: 35 semanas

Há dois dias atrás, quando comecei a refletir sobre o que eu iria contar essa semana, o sentimento geral era de um pouco de mágoa. Andava meio chateada com a vida que segue, e eu que não consigo acompanhar. Com as amigas que naturalmente vão te deixando de lado nos convites pra sair, pra viajar, pra curtir a vida. Com os corpos magros, as roupas justas e com toda a beleza feminina que eu queria ter nesse momento, mas não tenho.

A mágoa ainda existe, porque sou humana, e uma das bem lotadas de hormônio, não me venham exigir coerência ou linearidade neste momento. Mas essa mágoa deu lugar, nos últimos dois dias, a uma conformidade feliz, e me fez perceber beleza e serenidade onde eu estava esquecendo de ver que existia.

Tenho sentido uma vontade cada vez maior de recolhimento, de ficar sozinha com meus pensamentos e diários, traduzindo os sentimentos de mim pra mim mesma. Minha doula me recomendou começar uma faxina nos meus pensamentos, e é mais ou menos isso que estou fazendo.

Segundo ela, existem questões internas, que se não resolvidas, ou deixadas de lado, podem virar “travas” na hora do parto. Então eu fiz um checklist do que poderiam ser minhas travas, e estou organizando as gavetas, analisando item por item, vendo o que pode ser feito, se eu posso tomar alguma atitude, ou se posso pelo menos conversar a respeito com alguém.

Tem sido uma experiência libertadora, não apenas por conta do parto, mas por mim mesma. É bom se libertar das amarras que a gente tem na vida. E por falar em doula, anteontem tivemos o nosso primeiro encontro com a Rosa, e foi ótimo. Tiramos dúvidas, ela ensinou pro papai como ele vai poder me ajudar na hora do parto, discutimos o plano de parto e ela fez um ultrassom natural, em que foi possível “sentir” a posição do bebê na barriga, e deu pra ouvir os batimentos.

Foi um momento muito gostoso, de conexão, em que eu e o pai do João pudemos sentir muito amor. De fato, o momento está chegando. <3

Estamos cuidando dos últimos detalhes também de ordem prática: ontem o Décio montou o moisés (LINDO, APENAS) e instalou uma prateleira, eu encomendei um adesivo de parede, e o quarto do João começou a ganhar identidade. Acredito que essa semana eu consigo quase terminar o quarto (devo postar foto no Instagram, me segue lá pra ver).

Compramos uma boa parte dos artigos de higiene (um oferecimento Granado, a linha bebê deles é em conta, natural e ótima, pelas resenhas) e agora falta pouca coisa. As vovós estão encarregadas de nos ajudar com o que está faltando.

Ainda faltam 5 semanas, alguns últimos exames (vamos tirar a prova e ver se o ferro na veia surtiu efeito), poucas coisas pra comprar, e muita preparação. Às vezes fico tranquila, às vezes ansiosa, mas no geral bastante serena, tentando aproveitar cada momento, e focando pra não ter pendências quando chegar a hora.

Agradeço enormemente o carinho e o acompanhamento, por mais que escrever sobre a gravidez no blog seja uma maneira de registrar memórias e aliviar um pouco a ansiedade, ter quem leia, torça, e continue querendo me acompanhar, é um apoio enorme, e que faz um bem danado.

Até a próxima!

Essa foto faz parte de um ensaio que vi essa semana no Facebook, de mães amamentando. Inspirador e lindo!
Essa foto faz parte de um ensaio que vi essa semana no Facebook, de mães amamentando. Inspirador e lindo!

Engravidei, e agora?

“Amor de mãe é isso tudo mesmo?”, me perguntou uma amiga dia desses. Respondi ali na hora, com o que me veio à cabeça, mas de verdade, fiquei uns dois dias pensando sobre isso. E aí eu resolvi escrever um post. Lá atrás, muito antes […]