Minhas ideias de herança pro mundo

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Pelo nosso primeiro ano

Querido Jojoco,

Hoje eu reparei que as unhas do meu pé estão enormes, e que eu teria que usar um sapato fechado pra sua festinha de um ano. De vez em quando eu me pergunto que tipo de pessoa foi essa que me tornei, que não tem 5 minutos nem pra cortar a unha do pé. Será que eu não sou tão organizada assim? Ou será que bebês tomam mesmo para si boa parte da nossa energia vital?

Aliás, me desculpe por escrever essa carta. Você tem uma mãe do contra num nível quase patológico, o que significa que se um grupo de mais de 5 pessoas faz alguma coisa (tipo escrever blogs de cartas públicas para seus filhos), eu já acho cafona. Mas eu abri essa exceção na chatice, e espero que você entenda.

Mas voltando lá ao ponto inicial, eu mudei muito. Ontem fizemos a sua festinha, e eu passei o dia inteiro meio anestesiada, meio feliz, e meio angustiada também, um misto do turbilhão de emoções que foi esse nosso primeiro ano juntos. Percebi que ter resistido ao primeiro ano é algo que deve ser sim comemorado (e talvez seja por isso que as pessoas gastem tanto em festas de um ano).

Nós de fato vivemos esse último ano em total simbiose, e talvez a minha angústia, que me acompanhou em todos esses últimos dias, seja pelo fato de que o seu um ano seja o marco de que agora, mesmo que em passos lentos, começaremos a viver nossa vida nos separando, aos poucos.

Foi um ano difícil né? Ter filho é como estar num relacionamento complicado, do qual a gente não pode sair. Aliás, até pode, mas quando chega a virar as costas, dói tanto que a gente volta, mesmo sabendo que vai chorar de novo. Eu fui idiota com você em muitos momentos. Gritei, xinguei, taquei umas coisas no chão e te deixei chorando. Lembrar de cada coisa dessas que fiz me deixa mal num nível de fossa que eu desconhecia antes. Nunca deixarei de pedir perdão por essas coisas, apesar de saber que você nem se importa mais com isso.

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Uma das melhores fotos da semana, tirada pela dinda Ana <3

Eu só tenho a agradecer por você, meu queridinho. Por ser tão doce, tão disponível e sociável, tão risonho. Meu coração fica apertado sempre que eu penso que você vai crescer, e ter que aprender a lidar com as durezas da vida, e que talvez essas situações te endureçam um pouquinho. Não, eu não quero te proteger numa redoma, até porque eu sei que você é muito mais capaz de enfrentar o mundo que eu, mas eu não admito nem de perto a possibilidade de que você não seja uma pessoa feliz.

Na verdade, eu só queria escrever essa carta pra agradecer. É uma lista longa, e eu com certeza não vou me lembrar de tudo, mas eu agradeço pelos sorrisos e abraços que você me dá, e que me fazem esquecer que a vida é complicada. Pelas vezes que você se vira na cama, como se quisesse abraçar seu papai enquanto dorme. Pelo amor que a gente vê que você tem pelos nossos bichinhos, e que terá por todos os outros que passarão pelo seu caminho. Pela sua capacidade de olhar profundamente pra gente, e reconhecer o bom e o ruim, e conseguir abrir aquele sorriso gostoso, sem julgar, oferecendo sempre a chance de oferecermos nosso melhor a você. Agradeço pela possibilidade que você dá a mim e a seu pai de nos conhecermos, nos amarmos, e nos conciliarmos, assumindo fraquezas e expadindo a paciência e o perdão, em nome do seu bem-estar.

E não, eu ainda não cortei as minhas unhas do pé. Eu dei uma envelhecidinha, nunca mais fui à manicure, só me depilo quando dá. Salão, só quando é presente, e quando alguém se oferece pra cuidar de você um pouco. Para os outros talvez eu tenha ficado um pouco mais feia e desleixada, mas eu me sinto bonita, feliz, radiante, porque eu sou sua mãe, e você, nesse último ano, me transformou na melhor das pessoas. Ainda vai vir mais, eu sei.

Amo você, meu pequerrucho.

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Ser presente, atenciosa, me doar, é uma arte. Uma dessas artes da qual eu não sei nada. E que, teimando em aprender, eu saio um pouquinho mais estropiada a cada dia.

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Assumindo um desejo

Eu sou quadrada em muitos sentidos. Não tenho essa flexibilidade toda que é característica da geração Y (até porque teoricamente eu ainda sou X). Digo isso porque há algum tempo li uma matéria que falava algo sobre ser feliz tendo várias carreiras ao mesmo tempo, ou ainda abandonando uma e partindo pra outra, mesmo que parecesse “tarde demais”.

Sempre pensei o oposto disso, e na época ler esse texto foi muito libertador, no contexto dos pensamentos. Eu achava que como tinha me formado em publicidade, só conseguiria prosperidade fazendo isso, em partes por ter o pensamento quadrado, e em partes porque carreira sempre esteve relacionada pra mim a muito estudo e preparo, o que requer tempo.

Desde que li esse texto, eu comecei a pensar nas outras coisas que eu poderia ser na vida, além de publicitária. Coisas que eu gostaria de aprender, mesmo que não fossem uma carreira ou uma fonte principal de renda. Eu disse ali em cima que a libertação foi no âmbito das ideias, porque eu nunca tive muita coragem de assumir outra ocupação.

É um preconceito (ou talvez pior, um complexo de inferioridade) besta meu, uma vozinha que fica lá no fundo ecoando, e repetindo que eu não tenho nenhuma autoridade pra me auto declarar qualquer outra coisa além de publicitária.

Acontece que nesses dias do João, com licença-maternidade, eu resolvi tentar fazer uma faxina mental. Ter um filho nos dá uma noção plena de que a vida está passando, e que meus sonhos tem que começar a sair da esfera do pensamento e passar à esfera da realização. Tenho visto exemplos próximos que mostram que nunca é tarde demais para recomeçar, ou para diversificar.

E eu escrevi essa palestra toda pra dizer que eu resolvi estudar confeitaria, uma paixão antiga. Desde nova, eu sou maluca por doces, e em família, ou nos encontros com amigos, eu sempre fui a responsável por levar a sobremesa. Já pensei em estudar gastronomia, mas não foi uma ideia que durou muito, porque pro lado salgado da coisa eu não tenho pretensão de ser profissa. Meu lance sempre foi o doce mesmo.

como-abrir-confeitaria

Por isso, resolvi assumir esse desejo antigo, e ter coragem de estudar confeitaria. Me tornar uma especialista no assunto, e poder falar isso com a mesma segurança que me afirmo publicitária. Estou mudando de carreira? Agora não. Vou mudar um dia? Talvez, nunca foi segredo pra ninguém que eu não pretendo ser publicitária o resto da vida. Mas por que estudar então? Não basta apenas continuar cozinhando doces?

Como eu disse antes, eu sou dessas que não consegue “ser” alguma coisa sem um mínimo de estudo e dedicação. Eu tenho talento para a confeitaria, mas me falta técnica. E pelas minhas leituras preliminares (e toda a programação do GNT, e Discovery Home & Health que tenho assistido), a confeitaria é uma área que demanda MUITO conhecimento e técnica. Se for pra ser doce, que seja bem feito. Boleiro sem técnica tem aos montes por aí.

Assumido o desejo, mãos à massa. Agora não tenho muita condição de fazer cursos presenciais por causa do Jojoco, mas estou vendo cursos bem legais online mesmo. Estou lendo bastante por conta própria, e assim que der, vou fazer o curso do Senac, que aqui no DF é bem elogiado e dá os alicerces. E claro, testando. Por isso tenho cozinhado e postado tantas fotos de doces nos últimos tempos.

Não sei até onde isso vai, mas me sinto muito bem só por ter assumido essa vontade e por estar investindo nesse sonho. Vamos ver onde chegarei.

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