Sobre o parto: meus medos

Ontem tive consulta, e com o João está tudo indo otimamente bem, a não ser pela minha reserva de ferro, que praticamente acabou. Problema menor, resolvido com suplementação, para afastar o risco de uma anemia.

Desde quando minha médica perguntou: “como estão as coisas?”, percebi que, se existe um problema de verdade, não é no corpo que ele está, e sim na mente. Tenho me sentido mais preocupada e temerosa pelo momento do parto. Acho que me questionar se vou conseguir faz parte do processo, mas sinto que se abrir demais para as influências externas pode criar problemas que não existem.

Todo mundo sabe que as pessoas falam demais. Às vezes, quanto mais próximas, mais falam. Mãe, vó, tia, amigos, não acredito que essas pessoas sejam mal intencionadas, mas é preciso se blindar contra os danos que as palavras dessas pessoas podem causar.

É sempre um questionamento, uma desconfiança, a antevisão de um cenário ruim ou uma história mal sucedida de outra pessoa. Tanta informação que a sua conexão pessoal com o corpo acaba por se enfraquecer, e você mesma começa a duvidar da própria capacidade de parir. Eu que sou super segura e conectada com meu corpo já me peguei com esse medo.

Nesse sentido, as consultas com a minha médica tem sido essenciais, e aqui relembro algo que já tinha dito, de que a confiança no profissional que me assessora é fundamental. Confio bastante na Dra. Caren, porque ela não me infantiliza. Ela fala de parto humanizado de uma maneira muito realista: demora, dói e depende muito mais de mim do que de qualquer outra pessoa.

Muitas se aterrorizariam com isso, mas eu gosto, porque me empodera, e me coloca em posição de conformidade com todos os meus valores e crenças. Nessas horas, as influências externas deixam de fazer efeito. Ainda assim, sinto que preciso fortalecer a minha rede de apoio: o pai do João, a minha mãe e a mãe dele, madrinha e todas as pessoas que estarão mais próximas.

É um aprendizado, do qual certamente sairei melhor e mais fortalecida. Mas nem tudo é preocupação. Desde ontem também, tenho experimentado um sentimento de maternidade que até agora não tinha sentido de maneira tão forte. Um amor pelo meu filho que é transcendental demais para explicar, não sei se é influência do lugar em que estou passando uns diazinhos de descanso nestas férias…

No fim das contas, a hora está chegando. Mesmo com medos e preocupações, me sinto feliz. Não vou dizer pronta, mas em processo. O corpo agora se modifica mais rápido, e reclama mais também. Parte de um processo, de uma transformação que eu nunca imaginei que seria tão bonita e profunda. Obrigada por me proporcionar isso, meu filho.